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poesia "neoromântica"

Before - homenagem ao mestre Edgar Allan Poe  (poesia "neoromântica") escrito em terça 07 outubro 2008 16:40

 

 

Before

 

 

Ela
Como cheguei? Mas que maldição!
Que lugar é esse que estou
Que não posso ver meu amor?
É o inferno? Acho que não...
A dor do meu peito cessou!
Ai, Deus...! Que pavor!

 

O Homem
Minha jovem... está bem aqui
Apenas não poderá voltar,
Não poderá partir
Jamais desse lugar.

 

Ela
Nunca mais?

 

O Homem
Isso mesmo. Jamais.

 

Ela
Oh, não! Não pronuncie palavras tais!
E, por favor, diga aonde estou
Pois quero ver o meu amor
E dizer que a dor do peito passou

 

O Homem
Perdoe-me, por favor, pelo que vou dizer
Mas você não pode sair daqui
Porque acaba de morrer!

 

Ela
Oh, não! E nem apenas
Uma palavra de conforto
Poderei dizer, ao menos,
A quem chora meu corpo morto?

 

O Homem
Pobre ser, que na Terra perece
E que, como Camões,
Forja poemas com suas preces...

 

Ela
Gentil senhor... sendo assim... então
Permita-me voltar...

 

O Homem
Não! Já disse que não poderá voltar
Como mulher, assim tão bela.
Entenda: a morte vocês separou.

 

Ela

Mas permita-me, pelo amor de Deus
Tomar forma de qualquer coisa
Por mais que seja horrorosa
Mas que me deixe ver seus olhos, e ele os meus!

 

O Homem
Pois bem, se o ama, o verá.
Mas a forma de um Corvo,
Um hierático e soberbo Corvo tomará;
E apenas uma palavra pronunciará.

 

Ela
Eu agradeço, meu gentil senhor,
Do acento estéril que minha alma jaz.
Mas qual palavra que, para meu amor,
A minha boca pronunciará?

 

O Homem
“Nunca mais”.
E você, Lenore, poderá assim ficar
Para sempre com seu amor,
Porém a única coisa que irá falar
Será o epitáfio:
Nunca Mais.

 

(E ELA se foi)

(O HOMEM agora pensa consigo)

 

O Homem
Nunca... Mais...
É a única forma daquele ser
Conseguir compreender.
Que não basta uma Annabel
Para um anjo com coração de fel
Se contentar.
Porque anjos não conseguem
E não podem amar.
Então resta a mim
Ser um anjo caído
E apenas invejar...

Ela chegou.
Agora, como diz o outro
Que também vive a poetar:
"Cala-te. Ouçamos."

 

 

Deborah O'Lins de Barros

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belo e exato como um quadro  (poesia "neoromântica") escrito em terça 02 outubro 2007 17:20

Ontem me aconteceu uma coisa interessante. Vi uma figura que me impressionou. Era o belo, ou melhor, Belo. A beleza nos assusta e impressiona, pois não imaginamos vê-la andando por aí. Fui obrigada pela Sra. Inspiração a compôr esse poema. E ele não é dedicado a quem eu vi, mas a o que vi. Depois procurem a letra da música "Lindo", do Mutantes, e comprovem que eu não sou a única a me encantar com a beleza vã e concreta. Atingível e anti-romântica...

 

Belo e exato como um quadro

 

Hoje tenho a idade mental da sra. Robinson

E o tímido fogo pálido de Humbert Humbert.

Sinto a paixão que não exige posse,

Que não quer o direito de posse

A paixão de ver, como a um quadro.

 

Um quadro é a pose exata

Da beleza intacta.

É assim que a paixão platônica

Pós-adolescente, por isso controlada,

Deve ser. Deixe estar!

 

Deixe-se estar para que eu olhe

Depois de consumida a paixão do ver

Quero apenas lembrar da imagem vista,

Quero guardar na lembrança, como um quadro.

Calado, parado. Exatamente belo.

 

 Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 01/10/2007

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poemas sobre o cotidiano  (poesia "neoromântica") escrito em segunda 16 julho 2007 18:04

 

Eles não tem sofrimento, apenas são crônicas que rimam, falam de qualquer coisa que presenciei. Foram escritos na semana passada (meus últimos poemas com 23 anos... hehehe), depois de eu ter assistido a oficina do Enzo, aqui na Casaberta. Se era criatividade que ele queria estimular, conseguiu, estou mais bem humorada na poesia também. Enjoy

 

 

Yoga                                                                                                                                           

Não posso relaxar todos os músculos                                                  

Meu coração continuará batendo                                                                        

 

Tenho nervos em meu corpo,                                                                                 

Não posso deixar de ser uma pessoa nervosa.

 

Não me peça para exercitar meu corpo,

Até dormindo eu o faço.

 

Não posso pensar em nada

Pois o nada nem mesmo nada seria

Se não tivessem lhe dado por nome essa palavra.

 

Deborah Lins de Barros

Itajaí, 11/07/2007

 

Desilusão 

Agora pouco

(Não faz nem 20 minutos)

Uma moça proferiu:

"Santa Ilusão!"

E me quebrou as pernas.

Sempre pensei

(iludida como eu só)

Que conhecesse plenamente

Todas as facetas desse verbete,

Mas nunca pude imaginar

Que a ilusão pudesse ser

Santa.

Sempre a vi conjugada com seu adjetivo

Mais clássico - ou favorito.

Sempre pensei que a ilusão

Fosse apenas doce...

 

Deborah Lins de Barros

Itajaí, 12/07/2007

                                   

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pra não dizer que não falei de flores  (poesia "neoromântica") escrito em terça 03 julho 2007 23:28

"Não é que não gosto de flores"

 

Não é que não gosto de flores,

Simplesmente não as entendo.

São sutis, delicadas, caladas

Eu as olho e não vejo mais nada.

 

Não é que não gosto de flores,

Mas elas são tão sofisticadas

Que nunca sei o que posso fazer por elas

Não posso acreditar que fiquem assim só com água.

 

Não é que não gosto de flores,

Eu tenho mão pesada

E tenho medo de machucá-las.

 

Não é que não gosto de flores,

É que sou só uma ignorante

Que ainda pensa que flores gostam de música clássica.

 

Meu marido me deu flores.

Flores de verdade, que nunca tinha visto.

E eu as deixei no quarto,

Pensando serem de plástico.

Não é que não gosto de flores...

 

Deborah O. Lins de Barros

Itajaí, 03/07/2007

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lobotomia  (poesia "neoromântica") escrito em terça 26 junho 2007 18:32

Cadastrando a estante de Psicologia da loja, aprendi uma palavra nova. É sempre bom aprendermos coisas novas. Ao menos uma por dia. Bem, calhou de, nesse dia, eu aprender o que era LOBOTOMIA. Claro que já inha ouvido a palavra antes. Mas sabe quando a gente não se dá ao trabalho de procurar saber o que é? Eu também sou assim, né... Depois disso, transformei o meu novo conhecimento em arte. Escrevi um poema que segue ao texto do site http://www.cerebromente.org.br/n02/historia/psicocirg_p.htm É um poema bonito e, sobretudo triste, mas é necessário que o leitor sabia o que é lobotomia, para o poema fazer sentido. Se você já sabe o que é, pule o que estiver dentro das aspas e se renda ao meu Spleen de século XXI...

    

    "A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida por um neurologista português e realizada pela primeira vez em 1935, com um colega, baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo.

    "Nos anos 40 e 50, mais de 50.000 pessoas foram sujeitas a lobotomia no mundo inteiro, ou seja, em baseadas em uma evidência muito escassa e pouco rigorosa (alguns dizem até que inteiramente injustificada). Embora a lobotomia reduzisse o comportamento severamente agitado e violento e acalmar alguns pacientes psicopatas; havia muitos efeitos indesejáveis. A lobotomia prefrontal produzia "zumbís", ou seja, pessoas sem emoções, apáticas para tudo. Eles também perdiam várias funções mentais superiores, como comportamento socialmente adequado e a capacidade de planejar ações.

    "Em muitas casos, a lobotomia foi amplamente usada não como uma ferramenta de último recurso, como queria Egas Moniz e outros médicos mais responsáveis, mas sim em crianças com problemas, adolescentes rebeldes e oponentes políticos."

 

             Lobotomia

 

(pensamento)

Amor, meu amor...

Sinto não ter confessado antes.

Sempre quis dizer,

Mas as circunstâncias,

A ética e a timidez

Não o permitiram.


E mesmo agora,

Que já não tenho lucidez

Muito embora

Eu não tenha nem chegado aos 30,

Continuo seguindo

E obedecendo às regras.


Agora estou aqui sentada

Nessa cadeira desconfortável

Pois disseram que você viria.

Você está chegando

Com seu uniforme branco.

Vou tomar coragem porque só queria dizer que...


(rrrr – um corte na testa)

Ops...! Não te amo mais.

 

Deborah Lins de Barros

10/06/2007

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