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poesia "revoltada"

adeus, lênin!  (poesia "revoltada") escrito em terça 29 maio 2007 17:46

 Ontem (segunda-feira) eu fiquei muito feliz. Muito mesmo. Não sei se foi o dia em que mais me aplaudiram na vida, mas com certeza foram os aplausos mais intensos. Muito obrigada aos que bateram palmas para mim, isso levantou muito a minha auto-estima e mostrou que eu devo confiar mais no que escrevo, porque eu nem ia declamar esse poema ontem. Só quis tirar um sarro do Seba porque ele chamou a minha "Carta a Humanidade que Virá" de polêmica.

   Ah! E para os que pensam que sou menos esquerda por isso, procurem nos livros de história, ou na internet, João Alberto Lins de Barros, participante da Coluna. Ele é meu tio-avô. Ahahaha, posso não me considerar socialista, mas meu sangue é Vermelho!!!!

 

Adeus, Lênin! 

 

A minha geração idolatra o Che Guevara

E depois acende outro Marlboro

Enquanto calça o All Star,

Ouvindo, triste e pacivamente, um pop-rock farofa.


Para a gente, Cavaleiro é coisa de Idade Média

E o Cavaleiro da Esperança, coitado,

Cheira a "Senhor dos Anéis".


Católicos fazem procição, enriquecendo - sem saber - ao Rei da Vela.

Para a gente, Clint Eastwood só é caubói no "De volta para o futuro"

E o Morgan Freeman é o eterno presidente da América.


Cada um tem o John Lennon que merece.

E eu vou ter que me contentar com o suicida de Seattle.

Vida longa ao ídolo morto.


Lênin morreu. Viva Lênin!

Agora me dá mais uma Coca-Cola.

Sou punk, viva o anarquismo. Sou comunista, estou na moda.


Mas que bela porcaria de geração que me foi dada...

Que acha que a Olga é a Camila Morgado

E que o Thiago Lacerda é o Garibaldi...


- Me dá um trago dessa pôrra?

- Não prende muito, que dá aneurisma!

Mas não vou tragar essa geração medíocre.


Gostaria de me revoltar, mas não tenho objetivos.

Não há mais barreiras, não há mais muros...

Tomo um gole de vodka e assisto ao Big Brother.

Lênin morreu. Adeus, Lênin!


 Deborah O. Lins de Barros

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manifesto antropófago  (poesia "revoltada") escrito em sexta 16 março 2007 20:38

Anteontem finalmente li o afamado manifesto antropófago por inteiro. Quando na faculdade o li com uns amigos, acabamos pirando em fazer um neo-antropofagismo... foi uma época engraçada, eu quase procurei aprender o tupi-guarani! Bem, fiz um poema que considero bem original e, em homenagem aos meus queridos Oswald Andrade e Tarsila do Amaral, o deixo aqui, mais livre que dentro do meu caderno de poesias. Puxa vida, até a minha Antropofagia é romântica, não escapo nunca!!!

 

Soneto às avessas ou Salve o Abaporu

 

Cabral foi um impostor,

Tiradentes um otário

E D. Pedro I, usurpador.

 

Viva a Antropofagia!

Comamos a cultura externa

E façamos nossa poesia.

 

Mas respeitemos nosso país

Unido pela sorte;

Independência ou morte,

Quase morremos, por um triz.

 

Viva a Antropofagia!

Viva a nossa cultura!

Tão miscelânea e tão pura,

E repleta de magia.

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sobre o tema "espelho"  (poesia "revoltada") escrito em quinta 01 março 2007 19:58

Esta poesia eu compus a pedido do Elton, violonista, poeta e vocalista da banda Ninguém Sabe. Ele juntou outras duas idéias para compôr uma música para a banda, a sair em breve. É engraçado como um tema rendeu visões tão diferentes, aqui coloco apenas a minha.

 

Reflexo

 

Ninguém gosta do espelho.

Em frente a eles nos vemos...

 

É na frente do espelho que

A mulher quase magra

Admira tristemente

As celulites não admitidas

E as insulta,

Como se a própria mulher

Não tivesse parte nisso.

 

É na frente do espelho que

O velho quase brocha

Raciocina friamente

Que a gostosa com quem dorme

É uma prostituta,

E não são seus lindos olhos azuis

Que a mantém perto dele.

 

É na frente do espelho que

O juiz quase honesto

Se envergonha inconscientemente

Das atrocidades absolvidas

E as ignora,

Se enganando que no juízo final

Outro juiz o julgará inocente.

 

Ninguém gosta do espelho...

Em frente a eles nos vemos.

E quando vemos que estamos com defeito

Fechamos os olhos imediatamente.

Nos envergonhamos,

Nos insultamos,

Nos avacalhamos,

Depois esquecemos, abrimos os olhos

E seguimos em frente.

 

Deborah O. Lins de Barros                                     Itajaí, 11/02/2007

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