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poesia "nova"

uma andorinha só não faz verão  (poesia "nova") escrito em quarta 17 setembro 2008 17:52

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Andorinhas solitárias: uni-vos!

Vamos de encontro às teorias ultrapassadas

da sociologia clássica!

Façamos nossos pedaços de verão

e, de grão em grão,

a revolução se fará.

Cruzar os braços é como votar em branco,

e não sejamos brandos:

o conhecimento é socialista,

somos pássaros com sementes nos bicos,

não temos o direito de ser egoístas.

Andorinhas solitárias, não somos elite,

apenas temos nosso feijão-com-arroz cultural diário,

e nosso dever é dividi-lo,

para depois vê-lo multiplicado.

A cultura agoniza,

a educação agoniza,

e nos resignamos com o ditado.

Andorinhas solitárias, uni-vos,

e, de grão em grão,

o verão estará no papo.

 

Deborah O’ Lins de Barros

Itajaí, 17/09/2008

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poesia nossa de cada dia  (poesia "nova") escrito em quarta 20 agosto 2008 18:37

Poeta-morto que está no céu,

ou mesmo que ainda no Inferno de Dante,

abençoa as exposições de arte,

as peças de teatro,

e toda obra escrita:

que ela seja lida e não apenas

um enfeite na estante.

 

Perdoai nossos erros gramaticais,

assim como perdoamos as bizarrices que já lemos antes.

Abençoa-nos com situações inusitadas,

que nos inspirem a usar palavras bonitas

em melopéias contagiantes.

 

Nos poupe das rimas pobres,

que possamos colorir muitos versos brancos.

Nos dê força para aguentar os que dizem

que qualquer coisa é poesia,

pois tu nos ensinaste que só é poesia

quando há intenção de matar.

E nós, aqui, aproveitaremos o dia,

ouvindo sempre um suave murmúrio

- que não vem do mar -

e nos diz carpe... Carpe Diem!

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 20/08/2008

 

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o segredo  (poesia "nova") escrito em quinta 31 julho 2008 18:51

 

 

Florear...

eufemismo, hipérbole...

Poesia é utilizar recursos literários

para falar do que se passa

no cárdio e na derme.

 

O que escrevo não é

verdade nem mentira: é invenção.

Recrio como o louco Victor Frankestein

e, ainda sã,

admiro as palavras

que jazem na folha,

saídas de minhas mãos!

 

Sim, as palavras se voltam

contra quem as escreve.

É preciso ter paixão e calma.

É preciso haver ilusão e fascínio.

Mas não é necessário ser sempre breve.

 

O tema não é verdade nem mentira: é onírico,

as palavras escolhidas o conduzem ao inteiro.

A suprema conquista da poesia

é desabrochar um segredo,

é conseguir cantar meu primeiro amor

sem nunca dizer que ele era pagodeiro.

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 30-31/07/2008

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clichê  (poesia "nova") escrito em sexta 11 julho 2008 18:45

Eu queria ser aquela

metamorfose ambulante...

...mas estou presa eternamente

no paradigma de uma geração

quase interessante.

 

carioca

coca-cola

chiclete

pipoca e guaraná

RG, CPF, CLT, GLS

cigarro depois do almoço

esquerdismo aguado

internet banda larga

orkut...

faculdade trancada

(por falta de capitalismo suficiente)

comédia romântica norte-americana

...entediante

ainda não entendo filmes

inteligentes...

 

Me dê alguns anos e me transformo

na borboleta filosófica de Raul,

ou num kafkiano inseto alucinante.

Queria ser aquela metamorfose,

Mas não passo de um mero

clichê ambulante...

 

Deborah O’ Lins de Barros

Itajaí, 10-11/07/2008

 

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Colônia Cecília  (poesia "nova") escrito em sexta 27 junho 2008 21:32

 

 

COLÔNIA CECÍLIA, A TERRA PROMETIDA

 

No século XIX gostava-se de novidades...

D. Pedro II adorava fotografia,

nos trouxe o telephone

e sua esposa, Teresa Cristina,

estudou até arqueologia.

 

E tamanha foi a curiosidade,

que quando um italiano propôs uma "experiência",

vejam só que ironia:

o Brasil, na época da monarquia,

foi Terra Prometida até para a Anarquia!

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 27/06/208

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