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o guardanapo  (poesia "nova") escrito em sexta 30 maio 2008 00:45

poesia, guardanapo, tuberculose

 

O guardanapo

 

Em uma época bem antes de existir

a palavra reciclagem,

alguém guardou um guardanapo

manchado

dentro dum livro de poesia.

Muito tempo passou,

e o guardanapo foi encontrado

dentro do livro, agora raro,

achado num sebo.

 

O guardanapo, feliz,

foi logo se apresentando,

usando palavras que aprendeu no livro:

"Gentil senhor, finalmente me descobriste!

Pois estava eu cá, perdido

dentro deste belíssimo exemplar

de poesia romântica.

Se me abrires, verás nódoas de sangue.

Pertenceram a um poeta brilhante

que me guardou aqui dentro."

 

E continuou:

"Vejo que algum tempo se passou,

pois a minha volta encontro

objetos e utensílios nunca vistos antes.

Sou de uma época

onde as pessoas tossiam sangue

em meus semelhantes.

E o poeta moribundo que deixou sua marca em mim,

provavelmente faleceu daquele mal do século.

Sou mais raro que este livro!"

 

O homem achou que estava enlouquecendo,

mas continuou folheando o livro

e acabou por comprá-lo.

Chegando em casa

olhou o exemplar novamente

e ficou analisando os detalhes

daquele guardanapo de pano.

"Olá, amigo! Se abrires no próximo capítulo

lerás um dos poemas

de que meu antigo possuidor mais admirava..."

 

O homem achou o guardanapo velho

bastante interessante,

porém, sua arrogância

o tornou muito irritante.

O homem, já de saco cheio

da história do poeta tuberculoso, pensou:

"Sou um homem moderno!

Não ouço vozes!

Não vou dar ouvidos à história

ridícula e romântica de um guardanapo

com uma mancha de sangue."

O homem, então, decidiu:

colocou o guardanapo num envelope

e endereçou ao CSI Miami.

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 10/05/2008

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Todos os comentários desse artigo:
o guardanapo

  • Laís

    Dom 17 Ago 2008 03:54

    Olá, adorei o seu blog...
    visitarei sempre.

    www.propagandaepop.arteblog.com.br

  • mailto Mari

    Dom 06 Jul 2008 23:29

    Amei... Será que um dia seu personagem achou uma rosa seca num livro?

  • Beta!

    Qua 04 Jun 2008 01:24

    Amei!!!
    Saudades do sebo:P
    bjusss

  • mailto Andre Marchon

    Sáb 31 Mai 2008 23:55

    Parece até uma pesquisa de patologia arqueologica, procurar o agente causados da tuberculose em um guarnapo esquecido por um escritor moribundo do passado.
    Meio morbido, mas somente se aprende a dar valor a vida quando se encara os resultados concretos da morte. Adorei o texto...

    PS: Sumiste mesmo da minha vida meu anjo, e tanto que mudou, não recebo mais seus e-mails, e voltando ao RJ bate uma saudade ao seu respeito.
    Foi somente uma vez que nos encontramos, mas tanto tempo se passou, parece que já nos conheciamos a decadas, e fomos nos encontrar novamente para nunca mais repetir o fenomeno.
    Quando estiver no RJ avisa, ainda preciso conhecer sua mãe.
    Fica com Deus.

  • Daniel

    Sex 30 Mai 2008 06:43

    Ois... que massa aqui... gostei... adicionei no meu blog pra gente ir se visitando!

    abração

  • mailto Jasmin Druffner

    Sex 30 Mai 2008 04:29

    Gostei muito do que li. É como se tivesse fagocitado o que me vai no coracao e transcrito o sentimento em palavras

    E eu sinto falta dos seus emails!

    Um Beijinho
    da Mitocôndria.