sobre o quinto dos infernos (crônicas) escrito em quinta 15 novembro 2007 20:11
o casal de cegos da Hercílio (poesia "nova") escrito em quarta 31 outubro 2007 15:32
Hoje tenho uma coisa interessante para dividir com vocês. Aos que moram em Itajaí-SC, convido a reparar numa esquina da rua Hercílio Luz. Aos que não conhecem a cidade, convido a imaginar essa esquina tão cheia de um algo mais...
O casal de cegos da Hercílio
O casal de cegos da Hercílio
Nada vêem.
Não vêem as pessoas que passam,
Alheias.
E não vêem as pessoas que param
Para vê-los.
O casal de cegos da Hercílio
Tocam música.
A origem dela?
Pouco importa: sertaneja, andina,
Tanto faz,
Pois eles a fazem com um algo mais.
A alma não é cega,
A alma tudo vê.
Vê a música,
Vê a rua Hercílio Luz,
E vê as pessoas que passam
Para vê-la.
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 26/10/2007
missionários da arte escrito em segunda 22 outubro 2007 20:13
Olá pessoas! Hoje fui incubida de uma missão especial. O Enzo mandou uma brincadeira pro André que mandou para mim. Ela é assim:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abrir na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.
É praticamente um koan!!! Irresistível... O livro que estava na minha mão (não esqueçam que passo a tarde toda cadastrando os livros da Casaberta) era o Democratização em Florianópolis, de I.Scherer-Warren e J. Rossiaud e, obedecendo às instruções, me deparei com a seguinte frase:
"Quais os momentos importantes no processo de democartização do Brasil?"
Os que convoco para continuar a brincadeira são a Roberta Bittencourt, o Isaías e o Felipe Damo.
Bem, como eu ainda não sou muito sociável na internet e as pessoas que pensei já foram chamadas, fico devendo dois convocados, ok? Mas tá valendo... Tudo em nome da arte!!!
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 22/10/2007
o descobrimento da mulher (poesia "nova") escrito em terça 16 outubro 2007 15:59
Aí vai uma reflexão clichê, porém necessária nesses tristes tempos modernos...
O descobrimento da mulher ao longo do século XX
1916 - as saias sobem: aparecem os tornozelos
1927 - e sobem mais: aparecem os joelhos
1933 - maiôs cavados: aparecem as costas
1950 - sutiãs: aparecem os decotes nos seios
1964 - minissaia: aparecem as coxas
1980 - biquini fio-dental: aperecem os bumbuns
1995 - camiseta "top": aparecem as barriguinhas
2007...
Não há mais nada a mostrar? Hahaha, engana-se. Eu mostro meus poemas. Desnudam mais que um fio-dental; são mais profundos que o decote de um sutiã. E muito mais perigosos que umas saia godê* sobre o respirador de um metrô.
Homens, chega de clichês, desfrutem dos strip-teases de Clarice Lispector, Pagu, Adélia Prado, Florbela Espanca, Georges Sand... e por que não... o de Deborah O' Lins de Barros...
* saia "godê guarda-chuva": aquelas bem rodadas dos anos 50
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 14/10/2007
belo e exato como um quadro (poesia "neoromântica") escrito em terça 02 outubro 2007 17:20
Ontem me aconteceu uma coisa interessante. Vi uma figura que me impressionou. Era o belo, ou melhor, Belo. A beleza nos assusta e impressiona, pois não imaginamos vê-la andando por aí. Fui obrigada pela Sra. Inspiração a compôr esse poema. E ele não é dedicado a quem eu vi, mas a o que vi. Depois procurem a letra da música "Lindo", do Mutantes, e comprovem que eu não sou a única a me encantar com a beleza vã e concreta. Atingível e anti-romântica...
Belo e exato como um quadro
Hoje tenho a idade mental da sra. Robinson
E o tímido fogo pálido de Humbert Humbert.
Sinto a paixão que não exige posse,
Que não quer o direito de posse
A paixão de ver, como a um quadro.
Um quadro é a pose exata
Da beleza intacta.
É assim que a paixão platônica
Pós-adolescente, por isso controlada,
Deve ser. Deixe estar!
Deixe-se estar para que eu olhe
Depois de consumida a paixão do ver
Quero apenas lembrar da imagem vista,
Quero guardar na lembrança, como um quadro.
Calado, parado. Exatamente belo.
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 01/10/2007



