Home Data de criação : 07/02/23 Última atualização : 08/11/05 15:57 / 59 Artigos publicados
 

sobre o quinto dos infernos  (crônicas) escrito em quinta 15 novembro 2007 20:11

    Estou lendo um livro muito bom, literatura básica para qualquer brasileiro que é, quase que por natureza, descendente de imigrantes. O livro chama "Anarquistas, graças a Deus", e conta a saga da família Gattai, do ponto de vista da caçula, Zélia. Mas não é sobre o livro que quero falar, e sim sobre um assunto que sempre me encucou e, depois de desencucada, acabei deixando de lado. Veio à tona quando numa determinada parte do livro falam da Divina Comédia, do Dante, livro que ainda não tenho cultura suficiente para encarar.
  Primeiro, é necessário ressaltar que amo a minha língua pátria, o português, principalmente pelas facetas e pelas histórias de como tal palavra foi incluída ou apareceu no idioma. Dentre muitas, há uma em especial, a expressão "quinto dos infernos".  Proferida pela então princesa Carlota Joaquina, era uma ofensa à terra que ela não fazia a mínima questão de conhecer (e só o fez para fugir de Napoleão) e quando daqui partiu, ao entrar no navio jogou fora os sapatos, por que daqui não queria"nem a poeira" destes.
     Pois bem, o que passava pela cabeça da excêntrica Carlota Joaquina, ao falar "quinto dos infernos"? Tentei imaginar que, pela provável cultura, posto que nascera na realeza espanhola na época em que os Bourbons franceses levaram o iluminismo aos hispânicos, acabara por citar o tal florentino da Divina Comédia. Agora restava a dúvida: qual seria o quinto inferno da obra de Dante?
      Em vão tentei ler o livro. Primeiro parei para saber quem era Virgílio, depois, por que não sabia quem eram muitos a quem Dante fazia referência. Mas para todos os efeitos, a culpa é da minha edição da obra, uma infeliz tradução em verso. Ainda bem que não continuei minha teimosa empreitada. Durante a faculdade, me deparei com um assunto que só é tratado nas aulas de História da 6ª série e do 1º ano do segundo grau: a colonização do Brasil. O leitor lembra das capitanias hereditárias? Então lembrará que 1/5 do produzido aqui, pertencia à coroa portuguesa.
     Pondo fim à minha análise etmológica, ao meu devaneio romântico, fui obrigada a chegar à conclusão de que Carlota Joaquina não comparara o Brasil a um dos infernos de Dante, mas sim, o tratara como colônia, como quinto. E como ela, uma nobre franco-hispânica, casada com o príncipe da nação que deu o pontapé inicial às grandes navegações, haveria de residir, por tempo indeterminado, numa de suas colônias, aquele "quinto dos infernos"? É isso. E no final das contas, o Dante, coitado, não tinha nada a ver com a história...
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 14/11/2007 
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o casal de cegos da Hercílio  (poesia "nova") escrito em quarta 31 outubro 2007 15:32

Hoje tenho uma coisa interessante para dividir com vocês.  Aos que moram em Itajaí-SC, convido a reparar numa esquina da rua Hercílio Luz. Aos que não conhecem a cidade, convido a imaginar essa esquina tão cheia de um algo mais...

 

 

 

O casal de cegos da Hercílio

 

O casal de cegos da Hercílio

Nada vêem.

Não vêem as pessoas que passam,

Alheias.

E não vêem as pessoas que param

Para vê-los.

O casal de cegos da Hercílio

Tocam música.

A origem dela?

Pouco importa: sertaneja, andina,

Tanto faz,

Pois eles a fazem com um algo mais.

A alma não é cega,

A alma tudo vê.

Vê a música,

Vê a rua Hercílio Luz,

E vê as pessoas que passam

Para vê-la.

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 26/10/2007

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missionários da arte  escrito em segunda 22 outubro 2007 20:13

Olá pessoas! Hoje fui incubida de uma missão especial. O Enzo mandou uma brincadeira pro André que mandou para mim. Ela é assim:

 

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);

2ª) Abrir na página 161;

3ª) Procurar a 5ª frase completa;

4ª) Postar essa frase em seu blog;

5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;

6ª) Repassar para outros 5 blogs.

 

É praticamente um koan!!! Irresistível... O livro que estava na minha mão (não esqueçam que passo a tarde toda cadastrando os livros da Casaberta) era o Democratização em Florianópolis, de I.Scherer-Warren e J. Rossiaud e, obedecendo às instruções, me deparei com a seguinte frase:

"Quais os momentos importantes  no processo de democartização do Brasil?"

 

Os que convoco para continuar a brincadeira são a Roberta Bittencourt, o Isaías e o Felipe Damo.

 

Bem, como eu ainda não sou muito sociável na internet e as pessoas que pensei já foram chamadas, fico devendo dois convocados, ok? Mas tá valendo... Tudo em nome da arte!!!

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 22/10/2007

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o descobrimento da mulher  (poesia "nova") escrito em terça 16 outubro 2007 15:59

Aí vai uma reflexão clichê, porém necessária nesses tristes tempos modernos...

 

O descobrimento da mulher ao longo do século XX

1916 - as saias sobem: aparecem os tornozelos

1927 - e sobem mais: aparecem os joelhos

1933 - maiôs cavados: aparecem as costas

1950 - sutiãs: aparecem os decotes nos seios

1964 - minissaia: aparecem as coxas

1980 - biquini fio-dental: aperecem os bumbuns

1995 - camiseta "top": aparecem as barriguinhas

2007...

 

Não há mais nada a mostrar? Hahaha, engana-se. Eu mostro meus poemas. Desnudam mais que um fio-dental; são mais profundos que o decote de um sutiã. E muito mais perigosos que umas saia godê* sobre o respirador de um metrô.

Homens, chega de clichês, desfrutem dos strip-teases de Clarice Lispector, Pagu, Adélia Prado, Florbela Espanca, Georges Sand... e por que não... o de Deborah O' Lins de Barros...

 

* saia "godê guarda-chuva": aquelas bem rodadas dos anos 50

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 14/10/2007

 

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belo e exato como um quadro  (poesia "neoromântica") escrito em terça 02 outubro 2007 17:20

Ontem me aconteceu uma coisa interessante. Vi uma figura que me impressionou. Era o belo, ou melhor, Belo. A beleza nos assusta e impressiona, pois não imaginamos vê-la andando por aí. Fui obrigada pela Sra. Inspiração a compôr esse poema. E ele não é dedicado a quem eu vi, mas a o que vi. Depois procurem a letra da música "Lindo", do Mutantes, e comprovem que eu não sou a única a me encantar com a beleza vã e concreta. Atingível e anti-romântica...

 

Belo e exato como um quadro

 

Hoje tenho a idade mental da sra. Robinson

E o tímido fogo pálido de Humbert Humbert.

Sinto a paixão que não exige posse,

Que não quer o direito de posse

A paixão de ver, como a um quadro.

 

Um quadro é a pose exata

Da beleza intacta.

É assim que a paixão platônica

Pós-adolescente, por isso controlada,

Deve ser. Deixe estar!

 

Deixe-se estar para que eu olhe

Depois de consumida a paixão do ver

Quero apenas lembrar da imagem vista,

Quero guardar na lembrança, como um quadro.

Calado, parado. Exatamente belo.

 

 Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 01/10/2007

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