Home Data de criação : 07/02/23 Última atualização : 08/11/05 15:57 / 59 Artigos publicados
 

poema novo  (poesia "nova") escrito em terça 12 fevereiro 2008 15:28

Em vão tentei não fazer versos
sobre amor,
como Drummond me alertou.
Em vão tentei ressussitar poetas mortos,
Álvares de Azevedo
e Edgar Allan Poe.
Em vão tentei ser modernista
e antropofágica,
quando Oswald me provocou.
Em vão tentei ser árcade
ácida e ferina,
quando Sade me desafiou.

 

Mas mesmo assim continuei
a luta insana e digna da arte
que a literatura me proporcionou:
compus belos,
singelos e sinceros
poemas de amor a quem nunca
me amou.
Estive em 1922, 1928
e em muitos outros anos rebeldes.
Dei e tomei
tapas na cara,
tomei porres,
enchi a cara.

 

Quando me perguntarem
o que aprendi com isso tudo
direi:
Nada e muita coisa.
estarei sempre aberta
à alertas, provocações e desafios.
A minha batalha
em favor da poesia
ainda não cessou.

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 09/02/2008

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ensaio sobre o neo-romantismo  (crônicas) escrito em terça 22 janeiro 2008 15:25

    

    

     Não. Lulu Santos não é o último romântico. O romantismo piegas, esse sim, está à sete palmos. O que sobreviveu foi o spleen, insistente à procura de porquês e talvezes. Não queremos as musas inatingíveis, nem as Moreninhas de Macedo e muito menos, querido Oswald, as Marias Antonietas de não-sei-o-que. Lá em 1922 Menotti del Picchia já rogava para que aquelas jovens alvas, inalcansáveis e tuberculosas morressem de uma vez.

 

     O que o possível neo-romantismo do século XXI quer, realmente, é que a psicanálise interprete seus sonhos, submersos em poeira desde as primeiras revoluções industriais. Somos cheios de síndromes pós-freudianas e já desistimos de procurar alguém que não virá, ou por estar no passado ou por não haver, mesmo. Mas nem por isso deixamos de ser românticos. Nosso romantismo consiste em procurar - e talvez, quem sabe, encontrar - alguém que exista e pense como nós.

 

     E aí então vem a pergunta: e a poesia? A poesia não é para ser vivida. Ela é a válvula de escape, o que nos mantém sãos, nosso segredinho, nossa fantasia. É por isso que nos chamam de loucos: conseguimos viver uma coisa e sonhar outra, sem que um interfira no outro. A poesia é o que nos mantém vivos. Sabe aquela história de que se uma pessoa já realizou todos os seus sonhos, é melhor que ela morra? Por isso o romantismo, em suas mais variadas formas e facetas, nunca morrerá: são apenas sonhos, que muitas vezes não fazemos questão de que se realizem: só o que pedimos é que tenhamos o direito de sonhá-los. Podemos ser não-amados, porém mal-amados, nunca!

 

Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 22/01/2008

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pra que serve o que escrevo?  (crônicas) escrito em sexta 28 dezembro 2007 15:06

 

 

A função social da minha poesia

 

     Pensei em fechar o ano não com "mais um" poema, mas com algo como uma retrospectiva introspectiva. Durante essa semana assisti à minissérie "Anos Rebeldes", que me dei de presente. Não vou fazer uma análise da obra, até por que não terminei de digeri-la: sentei para ver umas 3 vezes, passando horas e horas nos anos 60 e 70. Agora que estou ruminando, reflito: tudo o que fazemos deve ter um propósito, pelo menos para nós mesmos.

     Para que serve a minha poesia? E então me vieram aqueles anjinhos que nos aparcem nos ombros... O do bem disse que para alegrar, entreter. Mas meus poemas são, na maioria, tristes. E disse o anjinho do mal: "elas não servem para nada! Você não passa de uma egoísta que só quer ser anarquista por não ter grana para ser burguesa!" Pera lá! Também não é para tanto! Fiquei pensando nos meus ídolos literários e seus porpósitos, em que seus escritos me modificaram e acrescentaram.

     Os autores que eu mais leio e que mais me influenciaram são, sem dúvida, Edgar Allan Poe, Álvares de Azevedo, Manoel de Macedo, Vladimir Nabokov, Oscar Wilde e Carlos Drummond de Andrade. Poe me mostrou o fantástico e sobrenatural; Álvares de Azevedo, do que o amor incondicional é capaz; Nabokov me fez entender o outro lado da moeda; Macedo me ensinou a ter saudades do que eu não vivi; Wilde, como dar um tapa com luva de pelica e Drummond me mostrou que podemos ver o belo em qualquer coisa ou situação.

     Não há função social na minha e nem na arte de ninguém. o que existe é o que cada um gosta mais de falar. eu gosto do cotidiano, do passado, do irreversível e de política. Qual legado que herdarei? O que passarei adiante? Sinceramente, não serei eu que escolherei o que lecionar. Até por que, nenhum dos autores que mencionei foram só aquilo. aquilo foi o que eu vi neles. O que verão em mim são outros 500...

     Um feliz ano novo para todo o mundo! 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 28/12/2007

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niemeyer  (poesia "nova") escrito em sexta 14 dezembro 2007 15:48

 

Ao Grande Arquiteto, feliz aniversário!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Escuto e danço enquanto

admiro o ritmo desses traços,

que ondulam e contornam nossa

terra natal. Sua obra flamula ao vento,

firme, tremendamente graciosa, im-

ponente. Um lápis em sua mão,

é mais revolucionário que a

revolução russa; mais

modernista que Macuna-

íma, que a poesia de Décio

Pignatari, somada à de Oswald

Andrade. Um lápis em sua mão, é a

profecia de uma ruptura; sua arquitetura

sempre nova tirou o latim de nossas

igrejas, fez tudo lembrar as praias

cariocas, onde quer que sua

arte esteja. Além de

você, só Deus, para es-

crever certo por linhas tortas.

mas não o chamarei de senhor,

pois como seus traços, você é eter-

namente jovem. Sua arte tem sotaque

do Rio de Janeiro! E se, vita brevis,

Sua arquitetura é ars longa

E a mim, só resta dizer:

Niemeyer, como eu,

também é bra-

sileiro!

Deborah O' Lins de Barros

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reminiscência  (poesia "nova") escrito em segunda 10 dezembro 2007 13:56

O passado já te incomodou?
E você gostou disso? 
Reminiscência
Às vezes tenho certeza
Quase absolutamente,
De que sou meio louca,
Verdadeiramente.
Pois não tenho necessidade
De ácido licérgico
E nem de lítio.
Mas quando vêm reminiscências
De determinados fatos
Há muito ocorridos,
Me vem uma vontade insana
De ausência.
Ausência de pensamentos,
Mas não de sentimentos.
Há uma necessidade
De estar só.
Inclusive a minha própria presença
Me incomoda,
Quando essas reminiscências
Me recordam que
I miss the comfort in being sad.
Acho que relembrar
As mazelas do ontem
É como folhear
Um álbum de fotos onde
A trilha sonora escolhida
É a responsável por virar as páginas.
E agora resta a dúvida:
Será que remexer lembranças
É como lembrar da dívida
Que tenho comigo mesma?
Isso, na verdade,
Não importa.
Pois se o Corvo diz Nunca Mais,
Não há portas
Que abram para eu voltar.
E, pensando bem, parece hilário
Pois forjar tristeza
Se tornou, nada mais
Que recurso literário.
A saudade existe para provar
Que o passado não mata
E as reminiscências são só um mote
Para entender que o que não mata
Nos torna mais fortes.
Deborah O' Lins de Barros
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