"Imagine todas as pessoas
vivendo suas vidas em paz (...)
Você pode me chamar de
sonhador,
"They took your
life mas
eu não sou o único.
but could not take your
pride"
Espero que um dia você se junte a nós
(Pride in the name of
love)
e o mundo será um só."
U2
John Lennon
Um dia um homem teve um sonho. E
esse sonho foi dividido com toda uma população de
pessoas de vários lugares, classes e gostos. Uma
minoria dominante não gostou nada da história e
tratou logo de dar um fim nesse sonhador. E foi num dia como
hoje, num 04 de abril, que assassinaram Martin Luther King. Mas
já era tarde demais...
Segue abaixo o sonho, sonho esse que
eu também tenho.
Eu Tenho um
Sonho
“
Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que
entrará para a história como a maior
demonstração pela liberdade na história de
nossa nação. Cem anos atrás, um grande
americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou
a Proclamação de Emancipação. Esse
importante decreto veio como um grande farol de esperança
para milhões de escravos negros que tinham murchados nas
chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para
terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o
Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente
inválida pelas algemas da segregação e as
cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro
vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de
prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos
cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua
própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para
dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa
nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de
nossa república escreveram as magníficas palavras da
Constituição e a Declaração da
Independência, eles estavam assinando uma nota
promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro.
Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens
negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os
direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da
felicidade. Hoje é óbvio que aquela América
não apresentou esta nota promissória. Em vez de
honrar esta obrigação sagrada, a América deu
para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado
com "fundos insuficientes". Mas nós nos recusamos a
acreditar que o banco da justiça é falível.
Nós nos recusamos a acreditar que há capitais
insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim
nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará
o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança
da justiça.
Nós também viemos para recordar à
América dessa cruel urgência. Este não é
o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o
remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas
de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas
da segregação ao caminho iluminado pelo sol da
justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa
nação das areias movediças da injustiça
racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o
tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os
filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a
urgência desse momento. Este verão sufocante do
legítimo descontentamento dos Negros não
passará até termos um renovador outono de liberdade e
igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um
começo. Esses que esperam que o Negro agora estará
contente, terão um violento despertar se a
nação votar aos negócios de sempre. Mas
há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao
portal que conduz ao palácio da justiça. No processo
de conquistar nosso legítimo direito, nós não
devemos ser culpados de ações de injustiças.
Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da
xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos
que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e
disciplina. Nós não devemos permitir que nosso
criativo protesto se degenere em violência física.
Novamente e novamente nós temos que subir às
majestosas alturas da reunião da força física
com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade
mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma
desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos
de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela
presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino
deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que
a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa
liberdade. Nós não podemos caminhar
só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa
que nós sempre marcharemos à frente. Nós
não podemos retroceder. Há esses que estão
perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês
estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for
vítima dos horrores indizíveis da brutalidade
policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos
corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter
hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das
cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um
Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova
Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar.
Não, não, nós não estamos satisfeitos e
nós não estaremos satisfeitos até que a
justiça e a retidão rolem abaixo como águas de
uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até
aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você
vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns
de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade
lhe deixaram marcas pelas tempestades das
perseguições e pelos ventos de brutalidade policial.
Você são o veteranos do sofrimento. Continuem
trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é
redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem
para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para
Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do
norte, sabendo que de alguma maneira esta situação
pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de
desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós
enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho
um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho
americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se
levantará e viverá o verdadeiro significado de sua
crença - nós celebraremos estas verdades e elas
serão claras para todos, que os homens são criados
iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da
Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos
dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto
à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de
Mississippi, um estado que transpira com o calor da
injustiça, que transpira com o calor de opressão,
será transformado em um oásis de liberdade e
justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças
vão um dia viver em uma nação onde elas
não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo
conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho
hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas
malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando
palavras de intervenção e negação;
nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras
poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas
brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho
hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e
todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares
ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos
serão endireitados e a glória do Senhor será
revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com
que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos
cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com
esta fé nós poderemos transformar as
discórdias estridentes de nossa nação em uma
bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós
poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir
encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe
nós seremos um dia livre. Este será o dia, este
será o dia quando todas as crianças de Deus
poderão cantar com um novo significado.
Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos
peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da
liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto
tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo
da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de
Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da
Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies
do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da
Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade
na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do
Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do
Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da
liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda
moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade,
nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as
crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e
gentios, protestantes e católicos, poderão unir
mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres
afinal."
Martin Luther King,
28/08/1963