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Manuel Antonio Alvares d'Azevedo  (análise deborianah da arte mundial) escrito em sexta 25 abril 2008 17:23

    

     Álvares de Azevedo foi o maior dos nossos poetas tupiniquins, ou no mínimo um dos maiores. Tendo uma obra variada, nos deixou poemas, contos, uma peça de teatro e cartas escritas a familiares que nos mostram toda a atmosfera em que o poeta vivia.

     O detalhe é que Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos. Se tivessem morrido nessa idade, Goethe não teria escrito nem Werther (escreveu aos 24), Manuel de Macedo não nos daria a Moreninha (escreveu e publicou aos 25). Que eu me lembre, apenas Rimbaud nos deixaria algo, pois começou a poetar aos 15.

     Reza a lenda que Álvares de Azevedo nasceu no dia 12 de setembro de 1831 na biblioteca de seu avô, na cidade de São Paulo. Como eu não estava lá, não contesto e nem concordo, mas a idéia é bem interessante. Depois foi morar no Rio de Janeiro, na época a capital do império. Voltando mais tarde à sua terra natal, para cursar a faculdade de Direito, é claro que achou um tédio. Então juntou-se aos amigos Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães e os três fundaram a misteriosa Sociedade Epicuréia, entidade insólita que ninguém sabe ao certo se chegou a entrar em atividade.

     Com a tuberculose, volta para o Rio e pensa em terminar o curso em Pernambuco, mas no dia 10 de março de 1852, devido a uma queda de cavalo, além de a tuberculose agravar ainda lhe descobrem um tumor na fossa ilíaca esquerda (não me perguntem aonde fica isso). Ele é operado, mas num 25 de abril 1852, domingo de páscoa, às 17:00h ele disse "Que fatalidade, meu pai!" e esse foi o último verso do poema que foi sua vida. Em seu túmulo, foi desrespeitado seu pedido, de ter uma inscrição: "foi poeta, sonhou e amou a vida".

 

Obras de Álvares de Azevedo:

Lira dos Vinte Anos

O Poema do Frade

O Conde Lopo

Poesias Diversas

Noite na Taverna

Macário

 

Deborah O' Lins de Barros

(atual encarnação do poeta)

 

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tempo, mano velho / o processo  (poesia "nova") escrito em terça 08 abril 2008 16:34

Ano passado fiz uma oficina de formação de escritores no SESC. Os dois textos que seguem estarão, provavelmente, na coletânea que sairá em breve. No primeiro texto desenvolvi a idéia de tempo como todo-poderoso, algo com o que não poderíamos lutar. O segundo é um poema onde "defino" o meu processo de criação. Divirtam-se

 

    Será que o Tempo brinca com a gente? Ou ele é só um marionete de um sátiro? Eu nunca consigo ser plenamente feliz, assim, num todo. Se estou emocionalmente bem, estou sem dinheiro; e assim vai. Poxa vida, talvez o Tempo não seja tão infinito quanto eu imagino, mas por que a minha felicidade tem de ser administrada aos poucos, se eu não sou infinita?

  "Você é jovem", dizem os mais velhos. Mas não, não tenho todo o tempo do mundo. Essa coisa de começar de novo é só uma metáfora, porque o tempo não volta. Sim, tropeçamos e caímos, levantamos nossa cabeça e nos reerguemos, mas a nossa ampulheta não pára. E quando começamos a reparar na quantidade de calos e hematomas decorrentes de nossos tombos, começamos também a perceber que não somos mais tão jovens quanto as pessoas nos dizem.

  Sabe quando nossas avós vêem uma bagunça e chamam de “anarquia”? Eu gostaria muito de anarquizar o Tempo dessa forma. Bem, seria uma boa vingança: século XII para cá, século XVII para lá... Isso eu queria ver; ia sentar e ficar vendo o Tempo, sem chão, tentando juntar seus pedaços.

 

Deborah O' Lins de Barros

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O Processo

 

Sempre pensei ser meio louca.

E sempre tive medo de ter certeza.

Quando comecei a ter pena de jogar fora

Os meus auto-exorcismos feitos no papel,

Comecei a gostar da idéia.

 

Depois namorei muitos escritores,

Poe, Álvares de Azevedo, Nabokov...

E embora meus romances fossem duradouros,

Gosto mais de escrever poemas e crônicas.

 

E quando o mal-maior se foi,

Vi que o mal-melhor ficou.

E agora sofro de poesia crônica.

Escrevo por dois motivos: porque quero e porque preciso.

 

Não sou mais louca,

Nem hipocondríaca, nem esquizofrência

Nem autista e nem tísica.

A arte me fez perceber que a única coisa que sou, mesmo,

É Deborah, sem acento e com H.

 

Deborah O' Lins de Barros

 

 

 

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eu tenho um sonho  (infelizmente não fui eu que escrevi) escrito em sexta 04 abril 2008 17:08

 

 

"Imagine todas as pessoas

vivendo suas vidas em paz (...)

Você pode me chamar de sonhador,

"They took your life                                                                                 mas eu não sou o único.

but could not take your pride"                                    Espero que um dia você se junte a nós

(Pride in the name of love)                                                                    e o mundo será um só."

U2                                                                                                                                 John Lennon

 

Um dia um homem teve um sonho. E esse sonho foi dividido com toda uma população de pessoas de vários lugares, classes e gostos. Uma minoria dominante não gostou nada da história e tratou logo de dar um fim nesse sonhador. E foi num dia como hoje, num 04 de abril, que assassinaram Martin Luther King. Mas já era tarde demais...

Segue abaixo o sonho, sonho esse que eu também tenho.

 

Eu Tenho um Sonho

Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes". Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre. Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

 

Martin Luther King,

28/08/1963

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Lilith e a mulher moderna  (poesia "nova") escrito em terça 18 março 2008 16:01

Lilith protagoniza a lenda do machismo primitivo. Era a primeira mulher de Adão que, feita da terra como ele, não quis ser submissa. Com sua fuga para o deserto, Adão recebeu Eva "esta sim", como diz na própria Bíblia, seria a mulher perfeita. A que ajudará o marido, bem no estilo "atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher". Divirtam-se com o meu momento Wicca de evocação da primeira sufragista que existiu... Ah, e eu não sou "feminista".

 

Lilith deveria ser

a musa das feministas atéias,

mas mesmo as feministas atéias

ainda temem o catolicismo.

Pede-se perdão por pecar

e por não pecar.

teme-se um inferno

que talvez possa não existir.

 

Não há liberdade na jornada dupla,

como não há liberdade na submissão

sem carteira assinada.

Lilith, olhe por nós

nos dê um bom emprego;

poucos filhos;

e um marido que entenda nossa TPM.

Amém.

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poema tem gosto de que?  (poesia "nova") escrito em quarta 05 março 2008 16:20

Que gosto tem um poema?

Foi a pergunta que me fizeram,

o mote que me provocou.

Poema tem gosto salgado de lágrima;

poema tem gosto amargo de mágoa;

poema tem gosto de já amou.

 

Poema tem o gosto frio-quente da saudade;

o acre gosto do caos;

o ácido gosto do não.

Poema tem gosto de flores comestíveis,

o divertido gosto da ironia

e o colorido gosto da diversão.

 

Poema tem gosto verde-bucólico

e um quê melancólico

Vaporoso gosto do que já passou.

Poema tem gosto apaixonado pelo tema escolhido;

O gosto de engolir seco do "Trocando em miúdos"

e o gosto impressionante de "Construção".

 

Há poemas com gosto de livre-arbítrio;

há poemas com gosto de cura;

gosto de mentira, gosto de verdade;

há poemas com gosto de boa-sorte.

Poema tem gosto de vida.

Poema tem gosto de morte.

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 04/03/2008

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