O guardanapo
Em uma época bem antes de
existir
a palavra reciclagem,
alguém guardou um guardanapo
manchado
dentro dum livro de poesia.
Muito tempo passou,
e o guardanapo foi encontrado
dentro do livro, agora raro,
achado num sebo.
O guardanapo, feliz,
foi logo se apresentando,
usando palavras que aprendeu no livro:
"Gentil senhor, finalmente me
descobriste!
Pois estava eu cá, perdido
dentro deste belíssimo exemplar
de poesia romântica.
Se me abrires, verás nódoas de
sangue.
Pertenceram a um poeta brilhante
que me guardou aqui dentro."
E continuou:
"Vejo que algum tempo se passou,
pois a minha volta encontro
objetos e utensílios nunca vistos
antes.
Sou de uma época
onde as pessoas tossiam sangue
em meus semelhantes.
E o poeta moribundo que deixou sua marca em
mim,
provavelmente faleceu daquele mal do
século.
Sou mais raro que este livro!"
O homem achou que estava enlouquecendo,
mas continuou folheando o livro
e acabou por comprá-lo.
Chegando em casa
olhou o exemplar novamente
e ficou analisando os detalhes
daquele guardanapo de pano.
"Olá, amigo! Se abrires no próximo
capítulo
lerás um dos poemas
de que meu antigo possuidor mais
admirava..."
O homem achou o guardanapo velho
bastante interessante,
porém, sua arrogância
o tornou muito irritante.
O homem, já de saco cheio
da história do poeta tuberculoso,
pensou:
"Sou um homem moderno!
Não ouço vozes!
Não vou dar ouvidos à
história
ridícula e romântica de um
guardanapo
com uma mancha de sangue."
O homem, então, decidiu:
colocou o guardanapo num envelope
e endereçou ao CSI Miami.
Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 10/05/2008