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Colônia Cecília  (poesia "nova") escrito em sexta 27 junho 2008 21:32

 

 

COLÔNIA CECÍLIA, A TERRA PROMETIDA

 

No século XIX gostava-se de novidades...

D. Pedro II adorava fotografia,

nos trouxe o telephone

e sua esposa, Teresa Cristina,

estudou até arqueologia.

 

E tamanha foi a curiosidade,

que quando um italiano propôs uma "experiência",

vejam só que ironia:

o Brasil, na época da monarquia,

foi Terra Prometida até para a Anarquia!

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 27/06/208

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direitos e deveres  (poesia "nova") escrito em quinta 19 junho 2008 21:48

Direitos e Deveres
(para todo cidadão de bem)
 
Você tem o dever de, caso homem,
servir às forças armadas.
Você tem o dever de pagar impostos.
Você tem o dever de declarar o que ganha.
Você tem o dever de eleger seu representante.
Você tem o dever de respeitar o próximo.
 
- Mas e os meus direitos?
...
Você tem o direito de permanecer calado.
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Deborah O' Lins de Barros
Itajaí, 06/2008
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o guardanapo  (poesia "nova") escrito em sexta 30 maio 2008 00:45

 

O guardanapo

 

Em uma época bem antes de existir

a palavra reciclagem,

alguém guardou um guardanapo

manchado

dentro dum livro de poesia.

Muito tempo passou,

e o guardanapo foi encontrado

dentro do livro, agora raro,

achado num sebo.

 

O guardanapo, feliz,

foi logo se apresentando,

usando palavras que aprendeu no livro:

"Gentil senhor, finalmente me descobriste!

Pois estava eu cá, perdido

dentro deste belíssimo exemplar

de poesia romântica.

Se me abrires, verás nódoas de sangue.

Pertenceram a um poeta brilhante

que me guardou aqui dentro."

 

E continuou:

"Vejo que algum tempo se passou,

pois a minha volta encontro

objetos e utensílios nunca vistos antes.

Sou de uma época

onde as pessoas tossiam sangue

em meus semelhantes.

E o poeta moribundo que deixou sua marca em mim,

provavelmente faleceu daquele mal do século.

Sou mais raro que este livro!"

 

O homem achou que estava enlouquecendo,

mas continuou folheando o livro

e acabou por comprá-lo.

Chegando em casa

olhou o exemplar novamente

e ficou analisando os detalhes

daquele guardanapo de pano.

"Olá, amigo! Se abrires no próximo capítulo

lerás um dos poemas

de que meu antigo possuidor mais admirava..."

 

O homem achou o guardanapo velho

bastante interessante,

porém, sua arrogância

o tornou muito irritante.

O homem, já de saco cheio

da história do poeta tuberculoso, pensou:

"Sou um homem moderno!

Não ouço vozes!

Não vou dar ouvidos à história

ridícula e romântica de um guardanapo

com uma mancha de sangue."

O homem, então, decidiu:

colocou o guardanapo num envelope

e endereçou ao CSI Miami.

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 10/05/2008

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Maria Clara nunca leu Marie Clair  (crônicas) escrito em segunda 26 maio 2008 22:28

Filei uma aula de teatro da minha irmã e tive o prazer de participar ativamente, a convite do professor. Como adorei o que saiu de dentro de mim, no resisti e já estou publicando por aqui.

Dedico esse texto ao professor Cyrano, Nelson Rodrigues, J.D. Salinger e Jack Kerouac.

 

Elementos para uma construção de personagem:

Profissão: dona-de-casa

Idade: 40 anos

Altura: 1.66

Sexo: feminino/hetero

Problema: depressiva

Talento: sensível e paciente

    

    Maria nunca se sentiu só Maria. Até por que é Maria Clara, como o título da revista feminina que nunca leu. Maria Clara cresceu na mesma casa em Paquetá, perto da famosa e quase clichê praia da Moreninha. Sua história é, para ela, a mais comum das que existem. Sua frustração é nunca ter saído do bairro-ilha da cidade do Rio de Janeiro.

    O único momento da vida de Maria Clara Santos Lima que não ocorreu em Paquetá foi seu nascimento, no Hospital da Beneficência Portuguesa, no bairro da Glória. Depois disso foi morar, como costuma dizer, dentro da história do Manoel de Macedo. Maria Clara estudou numa escola de Paquetá e todas suas amigas também. Seus hobbies são trabalhos manuais simples: bordado, crochê, tricô e feltro. Ela também arranha uma coisa ou outra no piano, mas como ninguém nunca deu bola, ficou por isso mesmo.

    Os pais da Maria Clara a criaram com muita dificuldade, mas ficaram satisfeitos com o trabalho que fizeram: uma ótima dona-de-casa; arrumada e arrumadeira; que cozinha a melhor manjubinha da ilha, segundo seus amigos; e que lê um livro por mês (romances de banca de jornal, mas mesmo assim, ainda é leitura). Casada desde os 22 anos com o dono de um restaurante local especializado em peixe, tornou-se o orgulho da família, que é de pescadores desde que chegaram em Paquetá, sabe-se lá quando.

    Seu Onofre, marido de Maria Clara, já no ato do casamento a deu um dos melhores presentes que ela teve: deixar de ser "Maria Clara da Silva Santos" para se tornar "Santos Lima". Foi, para ela, quase uma ascenção social. Onofre, de vida ganha, quis que Maria Clara não trabalhasse e assim ela o fez. A única excessão era aos domingos, quando ela fazia sua famosa manjubinha no restaurante do marido.

    Uma das maiores tristezas de Maria Clara é não ter sido mãe. Ela e o marido nunca fizeram exames e nem tratamento e Onofre decidiu que não saberiam quem era o estéril: não tiveram filhos e ponto. O problema é que Maria Clara sente-se só, não tem a casa cheia de pessoas para conversar. Aos 39 anos seus trabalhos manuais perderam totalmente a graça e as histórias dos livros que lia começaram a surtir efeito em sua cabeça.

    Cansada de ter sua vida sempre decidida por um marido que se ausenta por todo o dia, Maria Clara decidiu se aventurar, perder o medo do novo. Depois do almoço pegou sua bicicleta e foi para o outro lado de Paquetá. Passeando pela areia da praia, conheceu um turista perdido. Graças a Deus que ele falava espanhol, que é parecido com o português. Com uma comunicação que se intercalava em palavras-chave e mímica, eles acabaram transando por duas horas e meia, sem culpa e sem perguntas. Ela era baixinha, quase gordinha, mas ainda assim era bonita, tinha seu charme bronzeado. Depois de tudo ela ensinou o caminho que o gringo deveria seguir e foi para sua casa. Ficou por isso mesmo.

    Esse segredinho de Maria Clara a acompanhou pelos romances baratos que leu por quase um ano. Seu Onofre, para o aniversário de 40 anos da esposa, organizou uma festa surpresa no restaurante e até alugou um piano de parede para ela dedilhar alguma coisa. Mas ela não estava em casa quando Onofre foi chamá-la. Os convidados e amigos a procuraram pela ilha de Paquetá inteirinha, mas já era tarde demais. Uma hora antes Maria Clara havia pego a barca catamarã para o Rio de Janeiro. Fugiu com um hippie andarilho que conheceu na praia naquela manhã.

 

Deborah O' Lins de Barros

Rio de Janeiro, maio de 2008

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motivo de força maior  escrito em sábado 17 maio 2008 14:03

Amigos leitores, bloggeiros escritores e afins, por motivo de força maior, só postarei as novidades interessantes que gostaria de publicar a partir do dia 23. estou viajando e esse teclado é uma piiiiiiii.

até mais, amigos e visitantes.

por enquanto, acesse ao www.palavrastodaspalavras.wordpress.com e não se arrependerá.

 

abraço,

Deborah

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