Home Data de criação : 07/02/23 Última atualização : 08/11/05 15:57 / 59 Artigos publicados
 

feliz 11 de setembro para você  (crônicas) escrito em quinta 11 setembro 2008 23:14

Uma notinha, só para não deixar a data em branco.

11 de setembro é o dia que marca o início da minha politização. Não fosse o George (w.C.) Bush e seu surto anti-islamismo, eu ainda estaria em casa, acreditando no Jornal Nacional. Hehe, o feitiço virou contra o feiticeiro e eu fiquei curiosa piis, dentro da minha ignorância, eu não fazia a menor idéia de o que levaria um presidente de um país como os Estados Unidos, a atecar o Afeganistão. Aliás, eu nem sabia o que era Afeganistão. Não o acharia no mapa sem algum auxílio.

Aí eu comecei a pesquisar os muçulmanos, sua cultura e religião. Fiz faculdade de História eminha monografia seria sobre eles e sua presença no Brasil Colônia. Fiz aulas de árabe, fiz amigos. Também fiz crônicas políticas, nunca publicadas em blogs ou na revista literária CLAP. Talvez um dia eu resolva mostrá-la ao mundo. Enfim, no dia 11 de setembro de 2001 eu além de finalmente ver um fato histórico ao vivo (outro foi a queda do Muro de Berlim, mas como eu tinha 6 anos, acho que não conta), iniciei meu processo de cultura.

Caro George Bush Filho, graças às suas picuinhas idiotas e movidas a combustível não-sustentável eu hoje posso debater política com uma visão não equivocada de uma possível esquerda, pude ter o prazer de ler Fausto Wolff (que faleceu esses dias, infelizmente). Enfim, graças a você eu sou contra você.

E um feliz 11 de setembro a todos os que querem um mundo melhor. Lembremos que os EUA não são imbatíveis e muito menos, abençoados por Deus.

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 11/09/2008

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fila do banco  (crônicas) escrito em terça 02 setembro 2008 17:10

 

Há uns anos eu estava numa fila de banco e vi uma cena triste. Triste e meio revoltante também. É preciso lembrar que há alguns anos se pagava contas na “boca do caixa”, com atendentes, e não no caixa eletrônico. A fila, então, estava enorme e justamente esse fato quer possibilitou a ocorrência dessa cena.

Eu era a última das mais de dez pessoas que aguardavam o atendimento, que era lento, pois só havia dois caixas disponíveis. Mais gente chegava quando uma moça parou no meio do salão, parecendo buscar coragem de dentro de si. Respirou fundo, tirou um papel da bolsa e começou a chorar.

“Gente, boa tarde”, disse entre soluços tristes, “eu tenho AIDS”. A moça estava simplesmente desesperada. O tal papel em sua mão era uma receita de um remédio que com certeza não teria como comprar. E ela mostrava a receita a todos da fila, dizendo quanto custava e quanto faltava para chegar aquele valor. Conforme um ou outro ajudava, ela agradecia sinceramente e proclamava um valor menor que lhe faltava.

Essa angustiante contagem regressiva continuou até chegar a uma quantia pequena, algo como dois reais. E eu, sem nenhum tostão furado no bolso além do que tinha para pagar a minha conta, assisti àquela cena, muda, torcendo pela moça. Foi quando o segurança do banco chegou e disse à moça que ela não poderia fazer aquilo. Mas ela não estava fazendo nada de mais! Não estava roubando, não estava obrigando ninguém. E não estava mentindo, pois mostrava a receita médica e um documento de identidade. Mas não poderia pedir esmola na fila do caixa de um banco.

O que me irritou foi que, por que o segurança não chegou antes? Por que deixá-la ter um pouco de esperança? Ninguém reclamou ou praguejou; os que podiam ajudar, ajudaram. O segurança parece que só chegou para lembrá-la de que estava se humilhando em público.

Alguém intercedeu pela moça. Uma pessoa completou o que estava faltando para o segurança não enxotá-la e a moça, feliz por ter tido coragem de se humilhar, agradeceu muitas vezes e saiu. O segurança, obsoleto, voltou ao serviço. A vida voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. E eu nunca mais esqueci aquela moça. Continuo sem grana, mas ainda torço por ela. Para que continue tendo força para lutar para viver.

 

Deborah O’ Lins de Barros

Itajaí, agosto de 2008

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poesia nossa de cada dia  (poesia "nova") escrito em quarta 20 agosto 2008 18:37

Poeta-morto que está no céu,

ou mesmo que ainda no Inferno de Dante,

abençoa as exposições de arte,

as peças de teatro,

e toda obra escrita:

que ela seja lida e não apenas

um enfeite na estante.

 

Perdoai nossos erros gramaticais,

assim como perdoamos as bizarrices que já lemos antes.

Abençoa-nos com situações inusitadas,

que nos inspirem a usar palavras bonitas

em melopéias contagiantes.

 

Nos poupe das rimas pobres,

que possamos colorir muitos versos brancos.

Nos dê força para aguentar os que dizem

que qualquer coisa é poesia,

pois tu nos ensinaste que só é poesia

quando há intenção de matar.

E nós, aqui, aproveitaremos o dia,

ouvindo sempre um suave murmúrio

- que não vem do mar -

e nos diz carpe... Carpe Diem!

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 20/08/2008

 

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o segredo  (poesia "nova") escrito em quinta 31 julho 2008 18:51

 

 

Florear...

eufemismo, hipérbole...

Poesia é utilizar recursos literários

para falar do que se passa

no cárdio e na derme.

 

O que escrevo não é

verdade nem mentira: é invenção.

Recrio como o louco Victor Frankestein

e, ainda sã,

admiro as palavras

que jazem na folha,

saídas de minhas mãos!

 

Sim, as palavras se voltam

contra quem as escreve.

É preciso ter paixão e calma.

É preciso haver ilusão e fascínio.

Mas não é necessário ser sempre breve.

 

O tema não é verdade nem mentira: é onírico,

as palavras escolhidas o conduzem ao inteiro.

A suprema conquista da poesia

é desabrochar um segredo,

é conseguir cantar meu primeiro amor

sem nunca dizer que ele era pagodeiro.

 

Deborah O' Lins de Barros

Itajaí, 30-31/07/2008

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clichê  (poesia "nova") escrito em sexta 11 julho 2008 18:45

Eu queria ser aquela

metamorfose ambulante...

...mas estou presa eternamente

no paradigma de uma geração

quase interessante.

 

carioca

coca-cola

chiclete

pipoca e guaraná

RG, CPF, CLT, GLS

cigarro depois do almoço

esquerdismo aguado

internet banda larga

orkut...

faculdade trancada

(por falta de capitalismo suficiente)

comédia romântica norte-americana

...entediante

ainda não entendo filmes

inteligentes...

 

Me dê alguns anos e me transformo

na borboleta filosófica de Raul,

ou num kafkiano inseto alucinante.

Queria ser aquela metamorfose,

Mas não passo de um mero

clichê ambulante...

 

Deborah O’ Lins de Barros

Itajaí, 10-11/07/2008

 

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