Home Data de criação : 07/02/23 Última atualização : 08/11/05 15:57 / 59 Artigos publicados
 

O Grito - Munch  (análise deborianah da arte mundial) escrito em quinta 22 março 2007 20:27

   Parece inconsebível, sob um olhar romântico, que esse quadro tenha sido pintado em 1893. No século XIX. Mesmo hoje, no século XXI, ele ainda é enigmático, quase assustador. Quase sempre imaginamos um final de século XIX sem luz elétrica, sem automóveis, sem fotografia colorida e com saias compridas. Mas não devemos esquecer que três anos antes de Munch dar seu Grito ao mundo, Van Gogh morria na França.

   Imagino que Munch deva ter se inspirado nas decisivas mudanças daquele fim de século: sufragismo; unificação italiana e alemã; a movimentada Paris, com as coristas de Toulouse Lautrec; os bondes; o investimento na construção de navios gigantescos, comparados aos que haviam até então; as peças de teatro escritas por Oscar Wilde...

   Meu Deus! Que fim de século mais turbulento! É exatamente isso que passa pela minha cabeça quando vejo esse personagem amarelo desesperado. Deve estar se perguntando: "Aonde estão o bucolismo? e a mansidão? e o meu livro do Stendhal?", "Como será o mundo dos meus filhos? meu Deus! e dos meus netos?", "Será que o mundo acabará em uma grande guerra?"

    É, esse quadro foi uma premonição que o mestre do expressionismo Munch teve, no angustiado final do século XIX, sobre os devastadores séculos que viriam em seguida.

 

Deborah Oliveira Lins de Barros

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Arrufos - Belmiro de Almeida  (análise deborianah da arte mundial) escrito em quarta 21 março 2007 20:52

   O quadro "Arrufos", de Belmiro de Almeida, foi pintado em 1887 e, para mim, é uma das maiores obras primas da pintura nacional. O termo "arrufos" é, nada mais nada menos que uma briguinha boba, mas o que eu vejo é mais, muito mais...

   Todas as vezes que parei em frente a esse quadro, no Museu Nacional de Belas-Artes, sempre me deparei com uma das mais tristes cenas já pintadas. Sempre imagino que a mulher pecou e até está arrependida, mas sabe que dessa vez não terá volta. Já o homem, sentado fumando um charuto, está tão decepcionado que parece preferir não pensar no assunto, e não dá bola para as súplicas da mulher. E eu tenho a impressão de que não foi a primeira vez que isso aconteceu, pois o homem não está chorando.

   Bem, essa é a minha interpretação, triste, romântica, mas gosto dela. No roteiro que escrevi sobre o meu amado-morto Álvares de Azevedo há uma cena que na minha cabeça só terá o sentido que quero se ficar visualmente semelhante a esse magnífico quadro, cheio de frestas onde nossa imaginação dá asas ao sentimento.

 

Quem quiser comentar o que viu no "Arrufos" me deixará muito feliz, faça-o no "comentário".

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manifesto antropófago  (poesia "revoltada") escrito em sexta 16 março 2007 20:38

Anteontem finalmente li o afamado manifesto antropófago por inteiro. Quando na faculdade o li com uns amigos, acabamos pirando em fazer um neo-antropofagismo... foi uma época engraçada, eu quase procurei aprender o tupi-guarani! Bem, fiz um poema que considero bem original e, em homenagem aos meus queridos Oswald Andrade e Tarsila do Amaral, o deixo aqui, mais livre que dentro do meu caderno de poesias. Puxa vida, até a minha Antropofagia é romântica, não escapo nunca!!!

 

Soneto às avessas ou Salve o Abaporu

 

Cabral foi um impostor,

Tiradentes um otário

E D. Pedro I, usurpador.

 

Viva a Antropofagia!

Comamos a cultura externa

E façamos nossa poesia.

 

Mas respeitemos nosso país

Unido pela sorte;

Independência ou morte,

Quase morremos, por um triz.

 

Viva a Antropofagia!

Viva a nossa cultura!

Tão miscelânea e tão pura,

E repleta de magia.

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aos quatro olhos (poema meu que li ontem no Sarau do Aldeia)  (poesia "neoromântica") escrito em terça 13 março 2007 21:11

                       Miopia

 

Sem meus óculos não sou ninguém,

Ou melhor, sou depentente de alguém.

Sou completamente míope, enchergo embassado,

Mas brinco do jogo-do-contente e, ver tudo assim

Me faz sentir ter um olhar "impressionisado".

 

Mesmo dependente e feliz com a minha aramção

Inventei de colocar lentes de contato.

Engraçado, senti saudades dos óculos no ato!

Como poderia viver sem enchergar embassado?

Sem, quando eu quiser, tirar os óculos e ver um quadro?

 

O amor, ou seja lá o que esse sentimento for,

É mais ou menos assim: uma miopia.

É necessário que encherguemos bem

Para saber quando ele o é. Mas também,

Precisamos em algum momento flertar com o incerto, a folia.

 

O impressionismo é lindo! É lindo!

É a própria representação do amor na arte

Pois com a invenção da fotografia

O impressionismo desbanalisou a arte em toda a parte,

Imprimindo seu amor com beleza... e miopia.

 

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Dois ângulos singelos de duas cidades nem tão completamente diferentes  escrito em segunda 05 março 2007 22:17

O meu saudoso bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro RJ

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